Todas as noites ela encosta suavemente a cabeça sobre um travesseiro de pena e, de olhos fechados, encara sua estante imaginária na qual coleciona relacionamentos defeituosos. São diversos amores perdidos por descaso, acaso ou destino.

O sono, tão presente durante a manhã, se faz ausente na quase madrugada e, inquieta, ela o aguarda. Desliza o dedo sobre a tela do celular, curte fotos de casais apaixonados, sente inveja, às vezes enjôo, cogita caçar um crush num daqueles aplicativos invasivos, mas logo desiste, ora por descrença, outrora por preguiça.

Falta amor, ela dizia.

Diferente de qualquer outro dia, acordou sem expectativas. Disposta a desbravar o que há pra descobrir. Sem saber aonde ir, carregando medos e receios, seguiu para longe. Longe do que o escuro em nós esconde.

Nada a prendia, então, pegou outra direção, desvendou novos caminhos. Conheceu a si mesma e, diante desse autoconhecimento, aprendeu sobre suas limitações. Soube identificar emoções e, assim, tomar melhores decisões.

Conheceu novas pessoas, fez novos amigos, encontrou um ninho.

Aconchegou-se dentro de um apaixonante abraço e, por alguns instantes, esqueceu o que era vazio. Envolta pelos braços de alguém que completava sua alma e acrescentava cores e brilhos, descobriu que, na vida, não falta amor.

Falta amar.

Gostou? Então compartilhe esse texto com seus amigos do Facebook clicando aqui :)