Ouvi dizer que conhece-se uma bailarina pelo seu “plié”. Você, eu conheço apenas pelo olhar.

Nosso despertador toca, a cortina se abre, a música começa e a silhueta da perfeição feminina atrai olhares. As máscaras do seu teatro exibem apenas a face que ela quer mostrar, de acordo com seu show.

As sapatilhas apertadas desenham pelo palco de maneira suave, como uma gota de chuva numa folha seca. Sabe disfarçar a dor de quem vestiu salto alto em uma longa semana de trabalho.

Ela é um show a parte.

O collant que delineia um corpo capaz de hipnotizar pelos movimentos, convidar com o bailar dos braços e seduzir cada homem e mulher, também esconde a menina que, por dentro, morre de medo da multidão.

Ela é menina e mulher.

Você pode errar um passo aqui ou ali. Eu vou te abraçar mesmo assim. Sabe as olheiras de cansaço que a rotina lhe deu? Eu não ligo. Acorde sem maquiagem ao meu lado num domingo preguiçoso e eu não te deixo sair da cama por nada.

Cada dia acordando cedo é um ensaio pro show que fazemos juntos. Escolha ser a bailarina da caixinha de música do nosso quarto, ou solista do Bolshoi. Nosso espetáculo ficará em cartaz por muitos anos.

Posso ser um péssimo dançarino, mas aprendo um passo novo a cada dia com você.

Eu, espectador da nossa dança, tenho que aplaudir. Aquela bailarina dos sonhos de meninos, agora, baila só para mim.

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