Ela chega em casa cansada, quase esgotada. Sufocada pela rotina, martelada pelas cobranças e espremida dentro de sua própria roupa, sente o prazer de um orgasmo ao soltar o sutiã e descalçar as sapatilhas número trinta e seis.

Aprecia, respira e continua.

Toma um banho demorado e, enquanto responde as mensagens no Whatsapp, seca o cabelo, janta, faz as unhas, a sobrancelha e, por fim, se joga na cama apenas com uma confortável camiseta, uma calcinha qualquer e aguarda adormecer.

Acorda logo cedo e, ainda embriagada de sono, inicia uma briga com o alarme do smartphone. Abusa do modo soneca e, finalmente, desperta. Com o cabelo homenageando um famoso felino da Disney, rosto amassado, desmaquiado, arremessa a camiseta e, seminua, encara um espelho malfeito que diz.

Você é imperfeita.

O padrão de beleza sugere que seu corpo, um tanto quanto ampulheta, poderia ter algum aspecto triangular ou, talvez, retangular. Falta um pouco menos peito, um pouco mais bunda e, para completar, uma barriguinha negativa.

Eu, observando aqui tão perto, tocando seus lábios vermelhos nesse rosto assimétrico, contemplando cada pequeno detalhe imperfeito dessa mulher apaixonante, hipnotizado por um par de olhos castanhos, cochicho bem baixinho ao pé do seu ouvido: quando você sorri, o mundo a sua volta incendeia.

Você é perfeita.

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