Ainda me lembro como se fosse ontem quando recebi a primeira cartinha dela. Escreveu com aquela letra recém aprendida a ser redigida e com o lápis da turma da Mônica que eu tinha acabado de apontar (pois ela sempre me pedia para apontá-lo. Dizia que quando ela tentava, sempre quebrava a ponta).

Na carta, escreveu que me achava bonito e que gostava muito quando eu dividia meu pacote de Trakinas com ela. Que por eu dar algo que ela gostava tanto, daria a mim uma das coisas que ela “mais amava no mundo”. Foi aí que eu vi que, fora a carta, havia um saco daquelas balinhas Freegells, com uma figurinha de um casal desenhado se beijando. Abaixo do desenho, estava escrito: “Eu Te Amo”.

No ápice da minha infância e inocência, na qual o que eu mais gostava era de assistir Pokémon e brincar de pique-bandeira, fiquei pensando na hora se ela se referia às balas ou à figurinha. De qualquer forma, gostei do presente e retribuí com uma carta dizendo que a amava também. Ah sim, sem esquecer do pacote de Trakinas que deixei dentro da lancheira dela no dia seguinte.

Depois vieram várias outras cartinhas e, mesmo sem nunca trocarmos beijos no rosto ou darmos um simples abraço, começamos um “namoro” que durou por 3 semanas. Ela terminou comigo porque me viu dando um biscoito para uma menina da outra sala (calma! Ela disse que estava com fome, poxa. Mas concordo, foi vacilo meu).

Tínhamos apenas 9 anos. Hoje fico pensando em como foi fácil para duas crianças dizerem que se amavam por algo tão simples, e hoje, com os nossos 20 e poucos anos, ser tão difícil.

O amor se constrói no relacionamento, mas você tem medo da rejeição da outra pessoa ou de ser cedo demais para dizer algo. Então você se fecha. Não demonstra.

Talvez devêssemos aprender com as crianças. Simplesmente falar, sabe? Sermos mais sinceros uns com os outros e inclusive com nós mesmos. Claro, todos sabemos que não é fácil, mas se já fomos assim uma vez, por que não ser de novo? O tempo vai passando e você pode perder a chance de demonstrar e dizer como se sente para a pessoa que ama.

A infância passa em uma hora, a adolescência em um minuto e a vida adulta em um segundo. Percebeu que já estamos velhos? Pois é, então se você ama, viva. Não sobreviva.

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