A cada sorriso que me tirava, a cada ideia discutida com pensamentos tão iguais e tão contrários, a cada gole de cerveja amarga, eu te desejei. E naquela mesa de bar, eu te devorei.

Devorei no meu íntimo com todas as palavras que quis te dizer e não disse, com cada olhar passageiro que se encontrava despretensiosamente, e com todos os meus olhares fixos intencionais. Sem você perceber, te devorei tão rápido por inteiro.

E te devorava sem você ter noção, a minha mente se perdia total em você, mas talvez o morder leve de lábios, que por mim passou a ser despercebido e incontrolável, tivesse te indicado o que rolava na minha cabeça muitas das vezes que me distraí na sua boca enquanto você desenrolava histórias às quais não consegui me atentar tão bem.

Quente e úmida pelo torpor que aquela maldita cerveja amarga em conjunto com minha imaginação produziam, o frio já não se fazia mais notável dentro de mim. Os meus olhos se demoravam em cada piscada, me fazendo viajar na vontade da minha boca na sua e em cada parte de você.

A maneira como a conversa fluía bem no primeiro encontro e um riso que era tão leve em mim, me deixaram em êxtase, perdi o controle pro desejo e pra você, que aos poucos parecia perceber minhas tentativas de disfarce em vão.

Maldita cerveja amarga.

O olhar foi compreendido, o desejo foi atendido e, eu que tanto te devorei, ao final fui devorada.

Bendita seja a maldita cerveja amarga.

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