Sabe, eu percebi que precisava me valorizar. Nem que eu levantasse mais cedo pra tomar um café da manhã caprichado ouvindo um dos meus melhores discos e saísse de casa com a confiança que me restou. Resolvi me encarar no espelho e dizer algumas verdades para o reflexo. Foi aí que descobri que eu tinha esquecido como era gostar de mim mesma.

Percebi que os defeitos que odiamos em nós mesmas fazem parte da nossa humanidade. “Errar é humano”, já dizia o clichê. Abracei minhas qualidades e graças a elas consegui melhorar alguns defeitos e aceitar outros que são imutáveis (tipo as estrias que escondemos a todo custo e não são nada demais).

Descobri que eu ficava muito mais confortável comigo mesma ao me despir dos preconceitos com as mulheres reais. Minha barriga não é chapada, mas é linda. Minhas dobrinhas são minhas. Minhas tatuagens contam a minha história. Meu cabelo é maravilhoso e combina comigo. Meu nariz, que está longe de ser de barbie, é o meu nariz e não tem nada de errado com ele. Posso não ter os pés mais delicados do mundo, mas são meus pés e sou feliz por tê-los. E isso me basta. Meu peso, meu estilo, meu exterior não tem nada a ver com os padrões que estabeleceram. E eu não tenho nenhum problema com isso.

Quando percebem que não tenho muitos problemas comigo mesma, já disparam que sou arrogante: “aquela mina ali se acha”. Isso acontece porque o ideal é que toda mulher seja modesta, dando a entender que não reconhece o quanto é maravilhosa. E eu sou maravilhosa e vou gritar pra todo mundo ouvir. Tenho defeitos sim, como qualquer outro, e isso não me impede de ser maravilhosa.

Se eu quiser me achar poderosa como a Beyoncé e me denominar Khaleesi mãe dos dragões eu posso e vou fazer isso. Tem dias que acordo meio Inês Brasil. Em outros acordo me sentindo mais sacaneada que a Dilma. Cada dia acordo com um espírito diferente. Tenho o direito de não ser uma constante, por mais que achem isso um absurdo. As coisas mudam o tempo todo, as pessoas também. Mas as pessoas parecem se esquecer que um dia já foram diferentes do que são hoje. As experiências nos transformam, por que seria diferente com as mulheres?

Se eu for ao cinema sozinha, vão achar que tem algo errado. Se eu jantar sozinha em um restaurante, vão pensar que levei um bolo. Se eu sair com várias amigas, vão achar que estamos com o único objetivo de conquistar homens. Se eu fico em casa assistindo seriado, sou anti social. Se eu saio todos os dias, sou à toa. Se eu pego todo mundo, sou puta. Se não pego ninguém, é claro que sou antipática. Só que esses rótulos não me incomodam mais desde que me descobri livre para ser quem eu quisesse e com os meus adjetivos.

Eu sou quem eu sou, não o que os outros falam ou acham. Não sou a roupa que visto. Não sou a minha religião (ou falta dela). Não sou o meu mural do facebook. Sou de carne osso, momentos e sonhos. Ninguém vai poder sentir a minha história além de mim. Então deixe que digam, que pensem, que falem.

Tenho meus ideais e vou lutar por cada um deles. Tenho o direito de ter as minhas opiniões e me expressar. Tenho o direito de gritar as injustiças que nós, mulheres, sofremos. E ninguém vai me calar.

Eu vou fazer sexo com quem eu quiser. E não vai ser o moralismo que vai me impedir de fazer isso. Se eu usar tinder é problema meu, se eu for à caça de homens e mulheres (por que não?) é problema meu, se eu me apaixonar também é um problema meu. Toda mulher faz sexo e as pessoas ainda se assustam ou tratam isso como um tabu. O que é bem engraçado, já que todos nascemos de uma foda, embora muitos finjam esquecer disso.

Uma mulher bem resolvida incomoda tanta gente, que mulheres bem resolvidas unidas incomodam muito mais. Mas isso é assunto para outro texto!

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