Vou te contar.

Talvez por uma certa dose de imaturidade da minha parte, nunca fui bom em términos de relacionamento. Sinto muita dificuldade em manter como amiga alguém que foi algo mais. Preciso me afastar, virar a página e deixar para trás.

Meu orgulho ainda joga contra, me faz querer sempre sentir bem comigo mesmo e me afasta de pequenas dores que poderiam, se bem dosadas, me fazer crescer e aprender. Com esse olho no olho comigo mesmo, descobri que saber sofrer é parte essencial do “ser feliz”.

O resto é mar.

Compondo essa imensidão de pessoas, palavras e sentimentos que nos cerca. Cada qual com sua história,  sua dor. Escondidinhos em suas tocas, com medo de sair e dar de cara com o mundo lá fora.

É muito fácil ser feliz sozinho.

Não externar o sentimento para não se machucar. Mas nunca conseguir amar.

Não ferir o próprio orgulho com medo se expôr. E nunca aprender a confiar.

Deixar a impaciência nos vencer na hora das estrelas contar. E nunca ter tempo de ver cada nascer e pôr-do-sol para entender que cada dia é um novo ciclo.

Agora eu já sei.

O amor se deixa surpreender, se você permitir e se permitir. Como quem entra no mar e se deixa levar pela maré. Uma hora indo de encontro às pedras, como quem sabe que vai se machucar. Como quem sabe que serão preciso anos para que as pedras se quebrem, e não você.

Ou quem sabe recuando e deixando a maré baixar. Se retraindo e guardando energias para voltar na manhã seguinte, mais forte e intenso.

Vou te contar.

É muito fácil ser feliz sozinho.

Mas quem disse que amar é fácil?

*Texto inspirado e estruturado com base na obra prima “Wave”, de Tom Jobim.

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