Não existia garantia de que aquilo ia dar certo. Muito pelo contrario, as chances eram mínimas e a gente até tentou por diversas vezes se afastar, mas não dava. O problema é que até existiam pernas mais grossas, homens com mais atitude e garotas mais descoladas, o que não adiantava em nada, afinal, mesmo depois de tanto procurar, mesmo depois de provar tantos outros gostos e sabores, tudo acabava dentro do mesmo quarto, entre os mesmos lençóis espalhados incompreensivelmente sob a mesma cama.

No dia seguinte, a cabeça parecia uma máquina de escrever compulsiva, os pensamentos se distorciam e distinguir o certo do errado era um trabalho realmente difícil. Eu me sentia uma completa idiota por esquecer tão fácil das mágoas anteriores e simplesmente me entregar, até porque, chutar o pau da barraca tem surtido muito mais efeito nos dias de hoje. Amar, amar mesmo, é para os fortes.

E a gente não conseguia ficar junto, mas eu amava pra caralho. Amava passar horas escrevendo coisas desconexas sobre a gente, e que eu sequer entendia até passar pro papel, amava escutar ‘come away with me’ junto com teu carinho quando íamos dormir, os desabafos, as conversas sobre a vida, nossos corpos tatuados e até as misturas com suco de melancia que a gente fazia.

Isso é coisa de louco e a gente evitava, mas não dava, todas as vezes tudo acontecia de forma tão passional e com tanto gosto de saudade, que eu me rendia e esquecia. Funcionava como uma balança, aos poucos ele entendia meu ciúmes bobo e aceitava o dom incrível que adquiri em dramatizar tudo, logo, em contrapartida, devagarzinho eu também fui aprendendo a entender a vida que ele levava e respeitar seu amor do modo como era. É, formávamos uma dupla e tanto, e até poderíamos passar longos anos assim, mas como eu disse, não dava. Quando menos se esperava, o amor escapava pelas frestas e escorria pelos olhos.

O tempo passou, eu me permiti enxergar a situação como realmente era e descobri que, enquanto ele me amava apenas quando queria, eu o amava todos os dias. E não é por nada não, mas eu gosto mesmo é de via de mão dupla. Te enxergar assim, tão cru, fez com que eu me visse também, igualmente crua e tola. Percebi que o que eu precisava, não era dos seus abraços e beijos, eu precisava de mim. – Afinal, porra, eu sei fazer meus próprios sucos de melancia! – Agora, quanto mais eu me vejo, mais percebo que despejei em você o desejo de amar a mim mesma incondicionalmente. E sabe o que é melhor, apesar de toda a dor da situação, eu ganhei o maior dos amores, o meu próprio.

Agora deu.

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