Alice, um dia, definiu-se para mim como uma gangorra de emoções e confiança. Ora pende totalmente para o lado da desconfiança e desinteresse. De repente, muda de lado e se joga com a certeza de que tudo dará certo. Vai do chão ao céu em questão de segundos.

Ela nunca foi aquela menina meiguinha na infância. Nada de sapatilha rosa ou vestidinho rodado. Gostava de subir em muro, correr descalça e sempre voltava para casa com o joelho ralado. Criou tantas ~casquinhas~ que quem a viu crescer pintou uma ~cascona~ no seu entorno. “Essa menina parece um moleque! Essa vai ser durona!”.

Ledo engano.

Por dentro, parecia ser mais bagunçada do que o próprio quarto: amigos espalhados por todos cantos, alguns elos quebrados de tanta brincadeira e algumas gavetas abertas, reviradas de sentimentos que ela não sabia muito bem onde guardar.

O tempo passou, a menina cresceu e veio a necessidade de dar uma arrumada no guarda-roupa da vida. Decidiu viajar para o lugar mais longe que ela conhecia no mundo: sua própria cabeça. Por vezes, ela sentiu-se só – e isso lhe fez sentir-se mal. Porém, com o tempo, aprendeu que a solidão, muitas vezes, era sua melhor companhia. Não que ela fosse avessa a novas amizades, novos amores. Mas, sozinha, conseguia arrumar o que muita gente ajudou a revirar por dentro.

Em outros momentos, decidiu fechar a porta e trancar-se para sempre. Mas isso nunca deu certo, pois ela descobriu que ama demais. Ama demais a vida, ama demais viver, ama demais amar. Por mais que insistissem em a fazer perder a esperança com “O problema não é você, sou eu”, ou “Eu não estou pronto para isso agora”, Alice sabia que precisava amar para sentir-se feliz – por mais que volta e meia ela criasse novas casquinhas nos joelhos e no coração.

Ela vive em uma linda bagunça, onde as coisas ficam meio fora do lugar mesmo. Um dia, alguém vai entrar, se esparramar por lá, e adorar o jeito como tudo está.

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