De longe te observo. Você sentada no outro flanco do bar. Cercada por amigas. Sitiada por cervejas. Aprecio moderadamente seus gestos atrapalhados. Você percebe. Retribui com um sorriso tímido. Isso me desarma. Rosto corado. Em ambos os lados. Você fita meus olhos admirados. Eu esqueço completamente das pessoas ao meu lado. Transeuntes atrapalham minha visão. O álcool correndo por entre as veias também.

Você desaparece.

Levanto estonteado. Abandono meus amigos. Sigo sem direção. Atravesso o bar. Esbarro em algumas mulheres. Cruzo com tantas outras. Nenhuma me interessa. Ninguém me satisfaz. Não sei por quê. Eu quero você. Insisto. Persigo sua energia. Encontro você sozinha. Compenetrada no celular. Ou apenas disfarçando.

Preencho meu olhar com confiança.

Escondo minha alegria. Disfarço minhas pernas bambas. Enfrento minha desconfiança. Avanço em sua direção. Te cumprimento. Você corresponde. A sincronicidade é imediata. Conversamos. Empolgamos. Quero morder esse lábio – desejo em silêncio. Pulsações aceleram. Corações tropeçam. Sem tocar nela. Ela demonstra. Com os olhos. Que me quer. Ali mesmo. Dentro dela.

Seguro sua mão.

Procuramos privacidade. Uma porta fechada. Um tranco. Abriu. Entramos depressa. Seguimos até uma mesa de sinuca. Vermelha. Inutilizada. Você senta sobre ela. Agarro sua cintura. Trago seu corpo rente ao meu. Aproximo sua boca da minha. Encosto meus lábios nos seus. Beijo seu pescoço com calma. Sinto a temperatura aumentar. Continuo com suaves mordidas. Você se excita. O corpo treme. Ensaia gemidos.

O seu cheiro tumultua meus sentidos. A minha atitude desorganiza os seus.

Você vira. Me olha de lado. Uma leve mordida no lábio. Encaixo em suas costas. Mordo sua nuca. Você geme baixinho. Minha mão encontra seus seios. A outra desliza por entre suas pernas. Respira. O calor alcança minha mão. Enfio mais fundo. Toco em você. Seus pelos arrepiam. Sua respiração está ofegante. Está explodindo de tensão sexual.

Você é minha.

Agarro seu quadril. Mordo sua orelha. Desço devagar. Beijando seu peito. Barriga. Fico de joelhos. Sinto o perfume por entre suas pernas. Lambidas por entre suas coxas. Tiro sua calcinha preta. Passo a língua lentamente. Em volta. No clitóris. Encharco minha boca. Aprecio seu gosto. Geme alto. Pernas tremem. Mãos pressionam meu cabelo. Você quase goza.

Eu levanto.

Seguro sua mão. Conduzo até minha cueca. Você sente o volume. Respira forte. No meu ouvido. Enfia por dentro dela. Acaricia. Abaixa. Beija com calma. Chupa com vontade. Socos na porta desconcentram. Levanta assustada. Ameaça uma fuga desorientada.

Agarro seus pulsos.

Pressiono seu corpo contra a parede. Fica confusa. Em seguida. Excitada. Oferece um sorriso malicioso. Completamente nua. Se equilibra sobre a ponta dos pés. Palmadas leves. Depois mais fortes. Aumentam as batidas na porta. Empunho seu cabelo. Puxando-o delicadamente. Encaixo. Entro devagar. Depois mais forte. Você geme. Recomeço. Você grita. Goza. A porta abre.

Rostos corados. Em ambos os lados. Você fita meus olhos admirados. Ignora os intrusos. Recupera o fôlego pós-gozo. Veste sua calcinha preta. Sobrepõe a roupa. Me beija em silêncio. Vira. Caminha em direção a porta arrombada. Atravessa.

Desaparece. Levando marcas na pele e a sensação de uma foda inesquecível.

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