Ele foi embora. Fez as malas e meticulosamente pegou tudo que lhe pertencia, pra garantir que não precisaria voltar ali. Como já não bastasse esse momento, com tanta humilhação e brigas, que só um casal prestes a se separar sabe como é, ainda bateu a porta na saída fazendo ela dar um pulo.

Voltou pro quarto, “já tinha acabado fazia tempo” pensou “não adiantava tentar impedir”, respirou e colocou pra tocar aquele CD que ele tanto odiava. Meio sem saber o que fazer só pensou em sobreviver àquele dia, foi até a cozinha e abriu um vinho, agora sozinha ela podia beber, já que pra ele quartas não eram dias de álcool. Ficou desse jeito, jogada no sofá, com o pensamento longe, com todas aquelas questões variadas de “onde erramos?” insistindo em aparecer. Deu uma afastada no pensamento e relembrou dos amigos que há tempos não falava por conta do relacionamento, culpa dele, dela? Sei lá. Mandou mensagem pra todos, pra garantir uma atenção naquela hora tão confusa.

Não demorou muito, o primeiro convite apareceu, reencontrar a galera, sair pra papear, meu Deus, quanto tempo não fazia isso? Aceitou. Tomou um banho rápido e ficou olhando praquele vestido que ele tanto reclamava, meio curto, meio justo e super lindo. Mas hoje ela podia, ia sozinha, sem ter nenhuma voz de crítica de pano de fundo.

E os dias foram passando, bebeu sem ter alguém medindo, fumou porque deu vontade, deu risada até a noite virar dia, passou o domingo inteiro em casa mesmo ainda podendo ouvir ele dizer que “passar um dia assistindo Netflix é um absurdo”.

As noites chegavam mais cedo do que ela pensava, o tempo não estava se arrastando como ela estava esperando. Olhou pra cama e deitou bem no meio, onde sempre gostou de ficar antes dele mudar pro seu apartamento. Deu um sorrisinho. Ainda estava confuso, ainda estava doendo mas de toda saudade que ela sentia descobriu que tinha mais saudades dela mesma.

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