Sabe como eu achava que não cabia mais bagagem no porta-malas? Que não ia conseguir carregar mais nada? Você me mostrou que, se arrumarmos direitinho – não importa o tempo que leve -, sobra um espacinho para a sua mala cheia de roupas para todas as estações.

Sabe as várias horas de viagem que tínhamos pela frente? Já estão quase se esgotando. Mas não pára não, me conta de novo aquela história do fim de semana passado. Eu dirijo mais devagar, em ritmo de domingo – querendo que as horas não passem – para fazer com que dê tempo.

Sabe como eu gosto do ar-condicionado ligado e você morre de frio? Me deixa esquentar sua mão, faz do meu ombro o seu sofá e se enrosca na minha perna me fazendo de cobertor. Fecha os olhos e vem comigo para a nossa noite durar – como se não fôssemos nunca chegar.

Sabe aquela música que você não pára de ouvir? Aquela, que te faz pensar em nós, mas você não me conta por medo de eu não gostar? Pois é, acabou de tocar e nós nem percebemos. Coloquei no meio da playlist, assim, como se fosse ao acaso, pra te impressionar, mas o barulho está tão mais alto aqui dentro que nenhum de nós ouviu. Mas, não esquenta não. Vou colocar de novo e, se precisar, a gente fica aqui dentro esperando ela acabar.

Sabe onde eu falei que estava indo? Meu destino de rotas bem traçadas, caminho sem muitos desvios, sem riscos de me perder. Como eu escolhi o caminho mais curto só pensando em chegar mais rápido?

Recalculei a minha rota.

Vamos nos atrasar?

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