Esparramada pela cama vestindo apenas uma calcinha e uma regata amassada qualquer, ela desperta resmungando. Enfrenta o alarme do smartphone embriagada de sono, luta contra a gravidade matinal, senta sobre o colchão de molas, se espreguiça com um gemido tímido, deseja voltar e se embrulhar no cobertor, mas resiste oferecendo ao espelho um lindo sorriso espontâneo.

Ela é complicada demais.

Carrega dentro do peito, no coração, uma montanha russa de emoções. Ora está cantarolando, feliz, carinhosa e a fim de conversar, ora calada num canto, desejando solidão. Não se assuste se durante um filme ela chorar até soluçar e, depois, rir até doer a barriga.

Ela é intensa demais.

Não se dá bem com gente impaciente, pois impaciente, já basta ela. Quando está realmente interessada, não molha os pés. Pula de cabeça. Prefere não ter nada do que ter só a metade. Se apega fácil, feito uma menina, mas se você brincar com o coração dela, ela desapega rápido, feito uma mulher decidida.

Ela tem um gênio forte demais.

É meio demente. Todos nós somos meio dementes. Essa é a fonte do nosso charme e é exatamente este lado que interessa. Se você não captar o ponto de demência, dirá que ela é meio louca, mas se você captar essa marca de loucura, então dirá que.

Ela é apaixonante demais.

 

O último parágrafo foi inspirado numa pequena parte do Abecedário de Deleuze sobre amor.

Aproveita e assiste aí esse cover sensacional feito pela Ariel Mançanares.

“De todos os loucos do mundo eu quis você
Porque a sua loucura parece um pouco com a minha”

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