Eu tinha 20 anos quando você me escreveu aquela carta. Lendo tudo aquilo de novo me pergunto se você sentia mesmo tudo o que tá escrito, ou se achava que sentia, ou queria me fazer acreditar que sentia. Não me soam como mentiras, mas me soam como palavras póstumas. Sabe? Ditas por alguém que não existe mais. Quando foi que você foi embora e esse outro você tomou o seu lugar?

Nós tinhamos 20 minutos pra ficar ali, na frente do prédio onde você trabalhava, até a sua hora de almoço acabar e você ter que subir de novo. Eu lembro que teu cigarro tava queimando e você parece que tinha se esquecido de fumar. Uma lágrima caiu na minha mão e você disse “eu não sou mais quem eu era há 3 anos atrás”. E eu lembro de ter pensado “3 anos? Já tá quase na hora de renovar minha carteira de motorista…”

Teu aniversário era dia 20, eu tinha comprado dois ingressos pro show do Ira, você me inventou aquilo. E eu lembrei da carta que tu escreveu quando eu tinha 20 anos, aquela que dizia que eu era diferente de tudo o mais que você já tinha visto e sentido e desejado. Dizia que eu te fazia bem e que pelo teu próprio bem tu nunca mais ia sair de perto. No final colocou até um trecho de uma música do Queen.

E saiu.

A carta tinha 20 linhas. Eu tinha 20 anos. A gente tinha 20 minutos.

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