Mesmo que seja de roda de samba. Aquele pot-pourri que parece interminável e descreve amores dramáticos de rua, do povo sincero que acredita na eternidade. Que navega por diversos compositores, todos falando a mesma língua, mesmo que em épocas distintas.

Ou aquele blues setentista. Com cheiro de pub americano: uma mistura de cigarro com cerveja, suor com perfume barato. Viajando por solos em pentatônicas que parecem tentar ecoar para sempre, mas que, eventualmente, terminam com gostinho de quero mais. Ao mesmo tempo intenso e devagar como só ele sabe ser.

Até o jazz tem ponto final. Muito mais elétrico e refinado, parece que nos consome do início ao fim. É preciso entregar-se para entender seu real significado. Anos são dedicados ao seu estudo pois suas melodias são incomparáveis. Após seu término, você pode sentir-se esgotada, mas sabe que vivenciou algo único.

Parafraseando um rapaz de barba, ouvi dizer até que “todo carnaval tem seu fim”. Aquele em que parece que a quantidade reina sobre a longevidade. Dias de festa, horas de desfile e um número de bocas que se (des)encontram com a mesma velocidade com que tudo termina e vira passado.

Posso ainda lhe contar do punk. Com seus poucos minutos, mas cru e verdadeiro. Da sinfônica, que é tão rebuscada que poucos se interessam ou até daquele eletrônico, que você pode ouvir por horas até se perguntar “como eu vim parar aqui?”.

O ponto é que, independente do seu gosto, toda canção tem seu fim.

Mas isso é motivo para não aproveitar a música?

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