Chegou o inverno. Época de trocar a cerveja pelo vinho, tirar as roupas de frio do fundo do guarda-roupas e ficar de pijama o dia inteiro. De achar que a preguiça é uma coisa boa, se acompanhada por um chocolate quente. Tempo, também, de admitir que, em muitos domingos nublados, a falta de calor no coração gela mais que o vento lá fora.

E aí, você entra em cena. As bochechas e ponta do nariz em um tom de rosa que parecem agradecer às temperaturas baixas, pois assim, combinam ainda mais com seu cabelo em tom vermelho. Que parece castanho. Mas parece vermelho também. E, tão sorrateiramente como o vento que invade minha pele por debaixo desse jeans velho, eu me pego tentando lhe decifrar à distância.

E vou aprendendo, cada vez mais, essa matéria complicada que é você.

Enquanto você me liga de madrugada para me contar os nomes dos seus irmãos, suas cores favoritas e, antes de desligar, me chama daquele apelido carinhoso que acabara de inventar – e que eu morro de vergonha que você me chame em público.

Você me ensinou a olhar para as estrelas a noite enquanto neva, pois os minúsculos flocos de gelo refletem as luzes daquelas estrelas, ainda menores, lá longe no céu. E me disse que elas são como os pequenos momentos da vida: ajudam as estrelas a brilhar e brilhar por anos afim.

Ao ver as decorações de natal pela cidade eu reparo como as luzes refletem em você. Tem alguma coisa que faz com que a gente se sinta maior. Ninguém quer se sentir só no natal. Olhe em volta: parece que todo mundo quem ser como eu e você.

Mas que pressão é essa de servir como exemplo para todo mundo? O “para sempre” foi tudo que prometemos um ao outro. E se, um dia, nós acabarmos com ele, tudo bem.

Que ele dure até o fim do inverno.

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