Como um desabafo pessoal, preciso dizer que, durante um tempo, me fechei para o amor. Simplesmente não queria gostar de ninguém e, muito menos fazer com que alguém gostasse de mim. A responsabilidade de lidar com os sentimentos alheios parecia ser um fardo pesado demais para carregar em um momento em que me sentia fraco – das pernas e do coração.

É inegável, porém, que ter alguém ao lado faz bem e traz alegria incomparável. Mas também é verdade que, por necessidade e sobrevivência, aprendemos a viver bem e sermos felizes sozinhos. Nos descobrimos como seres independentes e capazes de realizar tudo o que queremos para nossa própria felicidade. Descobrimos o que nos faz felizes, as pessoas que nos fazem bem e quais os remédios mais eficazes para nossos dias mais tristes.

Só que existem dois fatores na vida que não controlamos e, muitas vezes, acabam com nossos planos. Primeiro, de tanto sermos duros para aguentar cada onda que tenta nos derrubar, acabamos amolecendo. Manter-se firme cansa, dormir sozinho todas as noites é difícil e deixamos transparecer a fragilidade da solidão. Sentimos falta, vontade. Falta mais pele, mais abraço.

Segundo, não controlamos o destino. Por mais que fechemos todas as portas e janelas da casa, vez ou outra aparece alguém tocando a campainha e querendo entrar. Muitas vezes, aparece alguém que parece ter a chave-mestra, aquela que destranca todas as portas e janelas e te deixa escancarado.

E o nosso medo, seja de dar certo ou dar errado, estraga tudo e manda a pessoa embora.

Em muitos momentos nos auto-sabotamos e jogamos tudo pelo ralo. Temos tanto medo do que pode acontecer, exigimos tanta certeza de que tudo dará certo, que esquecemos que não existe certeza. Que uma das coisas mais bonitas da vida é não saber o dia de manhã. É conseguir se entregar ao acaso e ao abraço, deixando o destino simplesmente acontecer e os sentimentos nascerem.

Eu não me apaixonei de novo por acreditar que era possível ser feliz sozinho. Por medo de deixar alguém se aproximar e enxergar meus defeitos, minhas manias – e as qualidades também. E o medo nunca nos leva a lugar algum.

Muito mais do que permitir-se amar de novo, é preciso permitir-se confiar de novo.

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