Não vejo a hora de ir para São Paulo.

O cheiro de cidade grande me consome ao pisar fora do avião. O tráfego intenso, de carros e pessoas, contrastam com a minha paz interior. Espero pela minha mala como quem não vê a hora passar, já que a maior espera já ficou para trás.

Esfrego as mãos para disfarçar a umidade que entrega minha ansiedade.

“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…”

Belas palavras, Pequeno Príncipe.

Já sinto seu perfume mesmo antes de encontrá-la – parece que ele encontrou um cantinho para morar na gola de cada camisa minha.

Mas São Paulo é traiçoeira.

Ela te pega de surpresa, despreparado. Nunca deixe seu guarda-chuvas em casa, pois pode começar a chover quando você menos espera. É muito fácil se perder. Uma curva errada e você se vê onde nunca imaginou. O que antes era cor, virou cinza.

De repente, o perfume dá lugar à fumaça dos automóveis. No meu caminho de volta ao aeroporto sinto o ar tão pesado que parece ser impossível para um avião decolar. Esfrego a mão com força contra a camisa para disfarçar a angústia e a dor no peito.

Não existe mais amor em SP…”

Nunca mais eu volto para São Paulo.

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