Saí atrasado de casa (pra variar).

Era uma segunda-feira de calor, fato que me deixava levemente desconfortável por ter que usar camisa e calça jeans, mas tudo bem. Entrei no vagão de cabeça baixa, como de costume: com um livro em uma mão e o celular na outra, trocando aleatoriamente as músicas. Ouvi um vendedor ambulante gritando suas promoções avassaladoras no famoso “shop trem” e perdi minha concentração na leitura. Quando olhei para o lado, lá estava ela.

Menina de uma beleza que intriga uma nação.

Curtos cabelos castanho claro, olhos cor de mel, um Vans nos pequenos pés e um vestido leve e cinza que acompanhava perfeitamente suas tatuagens. Não posso esquecer é claro daquele batom vermelho sensacional que deu um nó na minha imaginação às 7h45 da manhã. Claro que reparei também que em suas mãos havia um daqueles tablets de leitura. Fiquei imaginando o que prendia a atenção daquela moça. Seria um popular 50 Tons de Cinza ou um clássico de Vinicius de Morais?

Sei lá! Mas estou apaixonado.

Os trilhos foram passando e eu já imaginava os passeios de mãos dadas, o discurso no casamento e até o nome do cachorro. Tudo se foi em um chamado da próxima estação.

Que vacilo!

Ela foi embora e não faço nem ideia do nome dela. Sumiu em meio a multidão e o vão quilométrico entre o trem e a plataforma. Ah, vai ver ela tinha namorado(a). Tudo bem. Voltei à minha leitura para aguardar a minha estação de destino.

Perdi a concentração mais algumas vezes, hora por conta de um pedinte, hora por outro ambulante com seu jargão: “a porta fechô e nóis começô. Aqui todo dia é Black Friday”. As horas se foram e passei o dia em reuniões como todos os outros. Fui em direção ao metrô no fim do expediente. Como o ritual manda, peguei meu livro e meus fones. Olhei para o lado e novamente uma surpresa!

Não. Não era ela. Mas era moça linda. Olhos verdes, longos cabelos loiros, toda tatuada e claro, também com aquele batom vermelho.

Pois é. Mas antes que você me julgue…

Não importa qual a nossa preferência: a gente sempre vai se apaixonar no metrô, nem que seja por alguns bons minutos fora da nossa realidade (claro, isso só depende da linha que você pega). Em todo o caso, “eu podia tá matando, eu podia tá roubando”, mas eu só vim te pedir isso:

Mais amor, por favor.

Escrito por Vincius Makoto
Insta: @vinimakoto

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