Uma das principais ferramentas para ajudar a entendermos como nós mesmos somos e podermos explicar sentimentos e idéias que antes pareciam inexplicáveis é conversando com outras pessoas. Ouvir e explorar outras mentes é enriquecedor, claro, pois nos dá a chance ouvir algo novo. Mas, ao mesmo tempo, pode ser também esclarecedor, pois faz com que reflitamos sobre nós mesmos e isso nos gera auto-conhecimento.

Há algumas semanas, através de uma amiga em comum, eu conheci a Nanda. Ela estava de passagem por Berlim e eu tive o prazer de levá-la para turistar – entre uma cerveja e outra – e, como bons mochileiros, dividimos boas histórias. Ela havia acabado de voltar de meses de viagem na Ásia, por onde eu também estive recentemente, e logo começamos a nos divertir contando sobre os lugares em comum que visitamos, os perrengues, as festas, as fotos.

E foi aí que ela me falou algo que mexeu comigo. Conheço várias pessoas que me relataram experiências incríveis em Myanmar, um país pobre e ainda de certa forma pouco explorado pelo turismo, onde os povos locais têm pouco contato com a cultura do Ocidente e emanam uma pureza – que parece ser – de outro planeta.

Durante o nosso papo, a Nanda se abriu e disse como, por vezes, se pegou pensando sobre como nós nos desviamos constantemente dos nossos valores básicos de bondade e amor ao próximo e, em entrar em contato com uma sociedade que ainda prega e pratica tais valores, até chega a ser desconfortável. “Sabe o motivo, Léo? O amor constrange.

Essa frase foi como um clique para mim. Foi como se ela tivesse me entregue a última peça de um quebra-cabeças que há tempos estava embaralhado no fundo da minha cabeça. Tudo se encaixou. Eu, como homem, posso descrever como inúmeras vezes me senti reprimido, seja por outros ou por mim mesmo, por conta de um cabresto invisível que me impede de demonstrar meus sentimentos.

É o machismo que não deixa demonstrar afeto por outros homens. “Homem não fica se abraçando. É no máximo um aperto de mão”. É a vulnerabilidade enrustida que não deixa amar ou ser amado por uma mulher. É o resultado do “amadurecimento” de uma criança que, desde  pequena, é ensinada a ter vergonha do amor demonstrado pela mãe.

O amor constrange porque nos desafia a amar de volta, amar de verdade. E porque nos enxergamos, muitas vezes, incapazes de amar puramente, sem esperar nada de volta. E tem algo mais constrangedor do que não saber amar?

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